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PARIS IS BURNING



Esse report é sobre um dos dois desfiles mais impactantes dessa semana de moda em Paris. Com tantos acontecimentos nos últimos anos a moda tem virado uma enorme plataforma de manifestações artísticas, políticas e sempre inovando em seus recursos e adaptando ao que cada momento pede.


Vamos falar sobre Valentino e a coleção apresentada por Pierpaolo Piccioli que adotou uma estratégia de um desfile totalmente monocromático predominado por duas cores em voga, o preto e o rosa fúcsia. Por alguns anos, a gente viu uma certa resistência da moda em adotar cores extremamente vibrantes em especial o rosa fúcsia (pink). Se analisarmos os desfiles de 2013, 2014, 2015 e 2016 e rosa sempre se apresentou com uma certa ironia dentro das coleções e da própria moda.


Com a introdução da marca Vetments no mercado em 2014, uma grande tendência de irreverência e sem grandes excessos foi se apresentando, tomando forma e sendo aderida ao guarda-roupa. Essa “estética antimoda” surgiu e cresceu muito rápido aos longos dos anos pré-pandemia (principalmente nos anos de 2016 – 2019).


Com a covid 19 um movimento bem inesperado surgiu nas redes sociais, influencers e novos designers começaram a surgir no Instagram apresentando uma moda muito mais colorida, lúdica e até “infantil” com desenhos e cores abstratas. Em 2020 surge essa explosão de cores nos feeds e principalmente no reels. A cor lilás vem com muita força junto com o mood divertido.


E agora no desfile Fall 2022 Ready to weart da Valentino vemos a explosão pink por toda passarela. O rosa em seu significado carrega o romantismo, ternura, ingenuidade e está culturalmente associado à características como beleza, suavidade, pureza, fragilidade e delicadeza. Uma cor que foi muito taxada como algo referente ao universo feminino. E foi isso que me chamou mais atenção no desfile!

Embora Pierpaolo quisesse fazer com que o expectador olhasse para as formas e modelagem (pois era ali que estava o grande diferencial de um look para outro) esse desfile, pra mim, carrega uma simbologia muito marcante quando falamos de macrotendências. Vou trazer alguns pontos:


1) Observamos que a vontade pela irreverência associada ao movimento antimoda está diminuindo cada vez mais. Ou seja, existe uma vontade de aparecer e ostentar uma moda mais glamurosa.

2) O medo do rosa pela sua simbologia do patriarcado cai por terra, pois o desfile traz na silhueta uma mulher empoderada e vários modelos masculinos aderindo desfilando com um look totalmente rosa.

3) O conceito do rosa na moda é repensado e desejado.

4) A irreverência acontece na ousadia pela opção de fazer uma coleção totalmente monocromática onde a silhueta se perde junto ao fundo da passarela.


Eu achei esse desfile simplesmente fantástico! Além de muito bem executado, poético ele carrega uma mensagem bem revolucionária dentro do universo da moda. Ele constrói um novo contexto para a cor e isso gera um impacto extremamente interessante no comportamento de consumo e de percepção estética


Confira o desfile.




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